Estavam sentados na fonte em frente a Igreja. Faziam uma espécie de piquenique sob um teto cinza que prometia desabar em forma de chuva. Os carros passavam, as pessoas passavam, cachorros passavam. Os dois estáticos mantinham seus olhos estáticos um ao outro, sem pensar no tempo que empurrava todo o resto do mundo.
Seguravam a mão de um jeito carinhoso, enquanto conversavam qualquer coisa que jogava em seus rostos sorrisos de felicidade. As vezes, não por vontade, talvez por fome, soltavam as mãos para pegar o alimento que repousava ao lado. A cada término de mordida, as mãos voltavam a se segurar.
Segurança. Carinho. Afeto. Amor.
Havia tudo ali, naquele quadro urbano, cotidiano e real.
Eu apenas passei e sorri.
Senti que o mundo poderia ser melhor e estava sendo naquele momento. Em frente a Igreja, sentados na fonte, se amavam de um jeito normal, nada de sublime, nada que os fizesse diferente. O que me chamou minha atenção foi a cena, de se amarem sem medo do mundo cair sobre suas cabeças.
Não um mundo de chuva, mais de carros passando e buzinando sem precisarem buzinar. De pessoas passando e olhando como se o amor fosse vulgar, de cachorros que apenas passavam sem estranhar. Esse mundo que entram em Igrejas para crucificar os que ficam lá fora, sentados na fonte.
Esse mundo que julga o amor de um rapaz de olhos castanhos que ama outro rapaz de olhos castanhos. Que se amam de um jeito normal, sentados numa fonte, no centro da cidade, em frente a Igreja.
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domingo, 22 de setembro de 2013
O amor em frente a Igreja
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Cancelado
Existe uma constante inconstante no meu mundo.
Uma perversidade anacrônica, moralista e ufológica. Gostaria que fosse irreal. Ou que fosse um sonho. Desses comprados em padarias, com açúcar e recheio de doce de leite. Gosto desse tipo de sonho. Especificamente desse sonho.
Porque o sonho que tenho de olhos fechados me incomoda. Apenas porque sei que ele é real, que ele abusa da minha fragilidade onírica e da minha defesa que se esconde. Não tenho terror noturno. Meu terror é diário. Cotidiano. Com várias onomatopeias e pleonasmos.
Esses sonhos metafóricos, que de olhos abertos não me incomodam tanto. Eu os explico pela ciência moderna, pós-moderna ou o período logo após este, que ainda não dei nome, mas nesse momento seria apocalíptico. Ruindo aos poucos em meio a confusão de pessoas centradas em si, em uma análise de umbigo, procurando auto-ajuda em outras pessoas. Vazias.
Vazio. Sentimento complexo esse que sinto. Tão cheio e perturbado pelo vazio incomodo. Estou engordando, ficando redondo. Bebo minha cerveja, como um pedaço de carne e arroto minhas frustrações pelos dedos tocando suave o teclado. E minha vida vai se desenhando vazia na tela branca. Porque não escrevo em um caderno, apenas para mim?
Para mim? Existe algo reservado para mim? Um vinho tinto seco. Uvas tannat, por favor! O vinho é mais introspectivo que a cerveja. Gostaria de ser mais introspectivo, mas me jogo na vida esperando que ela jogue algo melhor para mim. Meus projetos precisam sair. Eu preciso deles. Quando tudo sai do controle me sinto controlado.
Corro atrás desse controle, de preservar o meu controle. Troco inúmeras vezes o canal dessa caixa chamado vida. Até bem pouco tempo, sintonizei no canal que me chamavam de "pai". Seria um bom pai, tenho certeza. Iria correr por ai, empinando pipa. Brincando de casinha. Fazendo cara feia e de nojo com as fraldas cagadas. O vomito que não acertou a fralda e sujou a camisa. A mãozinha segurando o meu dedo. O cheiro de talco.
Era um bom canal. Tinha amor, tinha felicidade e tinha a esperança de um mundo melhor. Mas esqueci de pagar a conta, ou o canal não tinha audiência suficiente nos dias de hoje. Quem quer ficar sintonizado no canal "Pai" hoje em dia, não é mesmo? Mas eu quis, estava me acostumando e gostando da programação.
Cancelado.
Fico sentado olhando a tela ficando preta por algumas horas. Olho o babador repousando no colo. Os olhos cheios de lágrimas que não podem sair. Fortaleza. Chorar é para os fracos então? Desligo. Corro para o banheiro. Chuveiro. Olhos vermelhos não são de lágrimas, é do shampoo.
O que a vida reserva para mim?
Algo bom?
Não sei. Nunca vou saber.
Espero que o canal volte um dia. Tenho certeza que será bom.
Por agora meu mundo está voltando a ser como era.
Não procure sentido.
Meu sentido foi cancelado.
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Feliz Fim de...
Tenho algumas muitas reticências para usar nos meus títulos. Não que isso seja uma estratégia para que alguém possa ler esse texto, que de interessante não tem nada, pois ele foi construído em um momento sem sono, numa noite chuvosa e com olhos cansados. Se ao final ele parecer interessante, não foi culpa minha, tenha certeza que foi culpa sua, que se interessa por qualquer coisa.
E me falaram que após ter filho a minha percepção sobre a vida e a morte mudaria. Que a vida teria um novo sentido e a morte seria um desgosto. É fato que meu filho ainda nem nasceu. É fato que nem sei o sexo dele, chamo de filho por usar um português ultrapassado, machista e correto.
Então me questionaram sobre 2012. Eu que sempre tive a certeza que algo mudaria ao fim desse mítico ano, não que o mundo literalmente acabasse em ruínas. Mas que o mundo de alguma forma mudasse, para o bem. Para coisas positivas. Não para o positivismo ultrapassado, idealístico e incorreto. Mas para um mundo onde as pessoas fossem felizes.
Assim, não tenho medo que o mundo acabe em 2012 porque vou ter um filho. Se o mundo realmente for acabar, não vai ser o meu filho que vai impedir isso. Em dezembro, se as contas estiverem certas, ele terá apenas cinco meses e se eu, com vinte e sete não consegui evitar, o que ele poderia fazer.
Mas com essa pergunta vibrando na memória, fiquei pensando em quantas vezes o mundo acabou. E o meu mundo acaba todo dia, desde sempre. O meu mundo parasital, onde parasitava o corpo materno. O meu mundo de criança, quando ao ejacular, me falaram que agora eu era homem. Meu mundo de adolescente irresponsável, ouvindo rock e fumando. O mundo acadêmico enquanto acadêmico. Meu mundo de solteiro. O mundo em que eu não me preocupava tanto com o futuro.
Estou consciente que tenho tantos outros mundos para deixar acabar e que irão acabar, eu querendo ou não. Tantos mundos quanto minhas reticências. E ao final de 2012 tenho certeza que muita coisa acabou e que muita coisa se transformou. Ao final de 2012 estarei diferente.
Estarei pai.
Mas o certo é que, o mundo nunca acaba, o que termina é a vida das pessoas. Os átomos voltam para o Universo. Assim, sou imortal. Meu filho será imortal. E se um dia ele ter oportunidade de ler esse texto, vai ver que o pai dele sempre se considerou produto de tudo que é incerto, inconstante e irreal. Pois, sou meu próprio deus, meu próprio inferno e minha própria ansiedade. Sou porque não fui. Sou porque ainda não fui.
Sou porque em breve irei partir.
Em duas partes.
Desiguais.
Eu.
Meu filho.
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Não sei muito bem como...
Não sei muito bem como aconteceu.
Lembro que estava tendo um sentimento paterno. Pensei estar com saudades do meu cachorro. Essas coisas pós-modernas de considerarmos um animal como sendo parte da família. Meu cachorro era meu filho e espero não ser com o meu filho como sou com o meu cachorro.
As vezes jogo as latinhas de cerveja sobre a casinha dele, coisa que ele já se acostumou. As vezes puxo o pano dele só para vê-lo correr atrás de mim. Nem sempre dou água, nem sempre dou comida. Muitas vezes acho que ele pode ficar um dia sem comer, porque está com o peso muito elevado para o tamanho dele.
Mas não era sentimento paterno numa relação homem-animal.
Era relação pai-filho humano mesmo!
Mas não dei muita importância e a vida seguiu. Seguiu bem até o dia que minha namorada disse que estava meio estranha. Estranha entende-se por menstruação desregulada. Desregulada entende-se por menstruação atrasada que automaticamente nos remete a gravidez.
E gravidez é uma palavra estranha que me lembra gravidade. Não aquela que nos mantém presos ao chão. Gravidade no sentido de situação complicada em um contexto complicado.
Ela foi fazer o teste de farmácia.
Um risco.
NEGATIVO.
Mas a situação continuou em um contexto complicado.
Teste de laboratório.
Até 05 nada de gravidez. Acima de 100 tudo de gravidez.
55.
Brincadeira isso?
Liga para o médico. Recebe saudações e felicitações. Brinca-se no Facebook. Desmente. O médico atende. Diz que vai ser o triplo o número no próximo teste. Tem certeza que não está, mas já errou uma vez. Faz o teste, nem o dobro. Laboratório comemora.
POSITIVO.
Dúvida. Recebe saudações e felicitações mais uma vez. Presente da sócia. O médico pede novo teste. Agora sim, mais que o dobro.
400.
POSITIVO MESMO... SEM ERRO!
A vida muda, os planos mudam. A felicidade cresce.
Não sei muito bem como vai acontecer!
Lembro que estava tendo um sentimento paterno. Pensei estar com saudades do meu cachorro. Essas coisas pós-modernas de considerarmos um animal como sendo parte da família. Meu cachorro era meu filho e espero não ser com o meu filho como sou com o meu cachorro.
As vezes jogo as latinhas de cerveja sobre a casinha dele, coisa que ele já se acostumou. As vezes puxo o pano dele só para vê-lo correr atrás de mim. Nem sempre dou água, nem sempre dou comida. Muitas vezes acho que ele pode ficar um dia sem comer, porque está com o peso muito elevado para o tamanho dele.
Mas não era sentimento paterno numa relação homem-animal.
Era relação pai-filho humano mesmo!
Mas não dei muita importância e a vida seguiu. Seguiu bem até o dia que minha namorada disse que estava meio estranha. Estranha entende-se por menstruação desregulada. Desregulada entende-se por menstruação atrasada que automaticamente nos remete a gravidez.
E gravidez é uma palavra estranha que me lembra gravidade. Não aquela que nos mantém presos ao chão. Gravidade no sentido de situação complicada em um contexto complicado.
Ela foi fazer o teste de farmácia.
Um risco.
NEGATIVO.
Mas a situação continuou em um contexto complicado.
Teste de laboratório.
Até 05 nada de gravidez. Acima de 100 tudo de gravidez.
55.
Brincadeira isso?
Liga para o médico. Recebe saudações e felicitações. Brinca-se no Facebook. Desmente. O médico atende. Diz que vai ser o triplo o número no próximo teste. Tem certeza que não está, mas já errou uma vez. Faz o teste, nem o dobro. Laboratório comemora.
POSITIVO.
Dúvida. Recebe saudações e felicitações mais uma vez. Presente da sócia. O médico pede novo teste. Agora sim, mais que o dobro.
400.
POSITIVO MESMO... SEM ERRO!
A vida muda, os planos mudam. A felicidade cresce.
Não sei muito bem como vai acontecer!
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terça-feira, 23 de novembro de 2010
Nesse sistema financeiro de Amar
E de repente me vi na fila de um banco privado. Muitas pessoas segurando de modo firme suas moedas. Era a fila de depósitos. Quis fumar um cigarro para baixar a ansiedade, mas lembrei que não podia. Quis tomar uma cerveja, mas lembrei que também não podia. Cortes necessários para cada vez mais sobrar moedas.
Lá estava eu, com as mãos suadas e o corpo agitado. Estava com pressa e a fila se quer se movia. Deu tempo para preencher o cheque. Sim, eu estava decidida a depositar mais do que as minhas moedas. E o tempo do relógio que estava sobre a cabeça dele continuava se arrastando. Cada minuto parecia uma semana.
Eu olhava os lindos olhos dele. O movimento das mãos contando suas próprias moedas. Um sorriso de menino e a barba por se fazer. Eu queria que ele estivesse me esperando. Esperando apenas a mim, para receber minhas moedas e meu cheque. Ele era o meu banco particular.
E de repente me vi sozinha, sem filas. Não enxergava mais pessoas e continuava não querendo os cigarros e as cervejas. Eu só queria que meu coração parasse de acelerar, que minha barriga deixasse de ter aquele frio e que meu peito não apertasse tanto. Não tinha tempo para mais nada.
Ele me olhou com ternura, mas não com paixão. Falou com a voz firme, sem aquela doçura de carinho. As mãos, quando vistas de perto, não brincava apenas com suas próprias moedas. Seriam moedas de quem? Seriam outras moedas? Estava confusa, caminhando sem direção, seguindo uma única direção. Os braços dele. E ele me chamou.
- Próxima...
Não me senti feliz. Eu era apenas a próxima e não a única. Olhei rapidamente a minha volta e todos estavam lá novamente. Atrás de mim, segurando suas moedas. Eu não era a única, era a próxima. Mas não vacilei, com passos de menina cheguei próximo dele.
Uma por uma fui entregando minhas moedas. Duas de respeito, uma de vaidade, três de ciúmes, dez de carinho, vinte de paixão, duas de verdade e... onde estavam minhas moedas de companheirismo?
O coração acelerou ainda mais, querendo parar de cansaço. Minha respiração ofegante. Percebi que ele olhou por sobre meus ombros querendo enxergar a próxima. Mas essa era minha chance de ser a única. E lá estavam elas, dentro do meu bolso esquerdo do meu casaco. Só as descobri ali porque as batidas do coração as fizeram mexer. Como se meu coração dissesse:
- Você tem muito a dar para companheirismo, menina!
Peguei minhas trinta moedas de companheirismo e entreguei ao meu banco privado. Antes de sair coloquei em suas mãos o meu cheque especial. Estava destinado a ele, cruzado. Só ele poderia trocar. Naquele cheque a quantia justa: Muita esperança.
Dei um sorriso para ele e sai. Não escutei ele chamando a próxima. Porque não houve próxima. O banco estava fechado naquele dia que insistia em não acabar. Mas se você pensa que depositei tudo o que eu tinha nesse alguém, você está enganado. Eu sei que com ele minhas moedas podem ter lucros gigantescos.
Mas não se deposita todas as expectativas e sentimentos. Apenas o necessário para ser inesquecivel, para ser justo, para ser único. Se minhas moedas de companheirismo, respeito, vaidade, ciúmes, carinho, paixão e verdade não forem suficientes posso te dizer que sou minha Casa da Moeda, sou uma fábrica de moedas, assim, igual a você. Hoje estou aberta apenas para ele. Nesse gigantesco sistema financeiro de amar.
*****
Crônica a pedidos de @DeboraahSoares por ter encontrado A frase na carta.
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
A frase na Carta
Oi,
Tenho que confessar que sou melhor com palavras escritas do que palavras ditas e não consigo encontrar um método melhor para expressar meus sentimentos nesse momento do que escrever essa carta.
Peço desculpas por não estar te olhando nos teus olhos e falando tudo o que existe para ser dito. Pode me considerar um fraco, um covarde, não me importo. Apenas gostaria que você lesse até o fim, mas se não quiser não fico descontente, pelo menos você sabe que eu tentei, do meu jeito, mas tentei.
Com essa carta, alias, quero transcender os sentimentos e desabafar. Falar sobre o que estão dizendo, pessoas que imaginava que entenderiam meu sentimento por ti, mas que ao contrário preferiram falar coisas que são inverdades. Deve ser porque me conheceram na época errada, mas isso para mim é desculpa que eu arrumo para não me chatear ainda mais com essas pessoas. A verdade é que essas pessoas desacreditaram no amor.
Mas tenho a sorte de ter encontrado nesses últimos tempos pessoas que buscaram conhecer quem eu sou de verdade, e não ficaram apenas na superficialidade. E procuraram conhecer um Eu diferente, que apenas queria se deixar descobrir. Talvez pelos anos atuando queira que as pessoas descubram que não sou apenas o que deixo parecer. Que sou maior que minhas atuações baratas.
Após o buquê de flores muita coisa mudou. Alias, após ter confessado para nossa amiga, dona e contadora de números, eu sabia que de alguma forma eu deveria começar a transformar esse sentimento em algo concreto. Então venho à sucessão de acontecimentos. Cinema, buquê e cada vez mais revelando os sentimentos. Do meu jeito torto, confesso. Mas ainda sim verdadeiros.
E então vieram as críticas, as preocupações e as distorções dos meus atos. Colocaram meu sentimento em uma balança própria e jogaram a minha em um canto. Poucos se preocuparam em saber o que era de mais verdadeiro nos meus gestos. A verdade é que meus sentimentos de afeto, de paixão e de cuidado são de sinceridade, que de tão sinceros me parecem redundantes.
Não sei o que você pensa disso tudo. Nem a visão que tem de mim e de tudo que está acontecendo. Não sei se chegou a ler até aqui. Mas saiba que sou um apaixonado pela vida, sou crítico, sou romântico, sou sarcástico, sou emotivo e sou persistente. Não dou flores a quem não tenha uma profunda admiração, carinho e respeito. Digam o que disser, eu sou apaixonado por ti.
E é por ser apaixonado, não vou fazer nada para te prejudicar. Nada que atrapalhe a tua vida. Eu me dei a possibilidade de escolher “e eu escolho nós dois”. Se eu sei as consequências? Posso imaginar, mas a minha vida inteira foi construída dentro das impossibilidades. Era impossível ser psicólogo. Era impossível clinicar. Era impossível eu escrever um livro. Era impossível trabalhar ao lado do meu pai. E agora dizem que é impossível namorar você... mas pela primeira vez dependo de alguém para tornar a impossibilidade possível.
Eu tenho calma. Tenho paciência. E não preciso de uma resposta... porque não faço perguntas. Só precisava desabafar de alguma forma pra ti. Agradeço e remeto desculpas por isso.
Beijos do jardineiro fiel.
* Como sempre tem algo escrito além do escrito! Encontre e post aqui. Estando correta pode pedir um tema de uma crônica.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
A trilogia de um Carnaval - Ato 3 - Columbina
Estava radiante. Era apaixonada pelo carnaval e pelas marchinhas de antigamente. Assoviava sempre as mesmas melodias enquanto andava com seu rebolado. A fantasia estava na bolsa. No corpo a roupa de trabalho e a vontade de ver os blocos passarem na avenida e os corpos bailarem no salão.
Deu mais uma conferida na fantasia. Uma saia branca abaloada. Um corpete preto, com fitas brancas trançadas nas costas. Luvas pretas. Meia arrastão preta e nos pés um tênis branco all star. Para completar uma longa piteira com losangos pretos, brancos e vermelhos. Estavam tudo ali, dentro da bolsa preta de couro.
Foi caminhando até a pizzaria onde trabalhava. Era bem próxima de onde morava, o que facilitava e muito as coisas. Pegou o celular do bolso e mandou uma mensagem para Pierrot, ele seria uma boa companhia para o seu carnaval. Os olhos castanhos foram acompanhando os dedos enviando a mensagem. Como sempre, ele respondeu em seguida. Meia noite ele passaria para buscá-la.
Era bom contar com a presença dele. Quando Pierrot estava por perto ela sentia um profundo clima de amor sincero e infantil. Era sublime pensar nele. Comeria uma pizza de sensação preta com morangos vermelhos para celebrar o pensamento. Esperava que o pizzaiolo atendesse o seu pedido.
E a noite foi passando, oscilando entre o muito rápido e o muito lento. Mas passava ao seu ritmo. Algumas vezes olhava pela janela buscando encontrar a lua. Seria lua nova ou as nuvens escondiam a sua luz? Deu um sorriso com esse pensamento. Quantos mais pensavam nessas possibilidades da lua?
E então o telefone tocou mais uma vez. Mais um cliente. Pizza gigante. Acompanha refrigerante. Mais um telefonema. Outro mais. Então ele ligou.
- Pizzaria da Cidade... boa noite!
- Boa noite! Eu desejo uma pizza inteira de amor, com bordas recheadas de paixão. Para acompanhar quero Colombina. - Ela de uma risada abafada procurando não chamar a atenção dos clientes e da sua chefe.
- Arle... quantas vezes já falei para não ligar para cá? E hoje vou sair com Pi...
- Mas você sabe que o valor de Pi não é exato. Exato é o que sinto por você. Que tal um baile à dois em um motel da cidade, realizando nossas fantasias?
- Eu tenho o teu número. Quando eu sair daqui eu te ligo.
- Certo. Fico esperando!
Arlequim é o tipo de homem que encantava ainda mais Colombina. Ele era divertido, tenha um olhar que lançava um aroma de sedução. As mãos dele sabiam acariciar o corpo. Quando ela estava com ele sentia um amor provocante, erótico e picante. Sentiu vontade de estar com ele em um motel.
Perdida em pensamentos, olhou no relógio. Meia noite e cinco. Olhou o telefone celular. Uma chamada não atendida. Havia esquecido de Pierrot e se bem conhecia ele, devia estar fazendo um dramalhão. Provavelmente estava se sentindo abandonado. Resolveu ligar.
- Desculpa! Vou me atrasar. - Fez uma voz suave e doce. Era o modo de pedir desculpas.
- Quanto tempo?
- Vinte minutos. Te dou um toque quando estiver pronta. Beijos... - Desligou sem dar tempo para ele reclamar. Pediu para a menina assumir o lugar dela, depois ela acertava com a chefe. - Manollo, faz uma pizza sedução pra mim? Estou atrasada.
Ele deu um sinal de "ok".
Colombina pegou a bolsa e correu para o banheiro. Estava toda atrapalhada. Maldito corpete que não fechava. Maldito cabelo que não ficava preso. Esqueceu o penteado e fez uma franja e um rabo de cavalo. Onde estava o celular? Onde estava o relógio? Os encontrou. Tinha apenas mais dez minutos. Colocou a meia arrastão e o tênis. Estava pronta. Morrendo da fome. Saiu do banheiro. Estava linda.
- Manollo, minha pizza?
- Esqueci... mas faço já!
Ela ficou sentada apreensiva. As pernas tremiam ansiosas. Jogou sem querer o celular dentro da bolsa. Ficou acompanhando as horas se passarem rápidas no relógio.
Vinte e cinco minutos. As pernas tremiam ainda mais ansiosas. E a pizza ficou pronta.
Trinta minutos. Comia rápido, enquanto bebia ainda mais rápido um refrigerante.
Trinta e cinco minutos. Correu para o banheiro. Escovou os dentes e passou um batom vermelhos nos lábios úmidos.
Quarenta minutos. Estava caminhando em direção a calçada. Onde estava o celular para avisar, Pierrot?
Quarenta e três minutos. Ele havia ligado. Deve ter chamado e ela sequer ouviu. Tentou ligar para ele, mas o telefone estava desligado. Ficou sem saber o que fazer. Pensou em Arlequim, mas havia ficado tensa e perdido a vontade de estar com ele. Olhou mais uma vez no relógio.
- Quer saber? - perguntou ela para si - O mundo está repleto de Arlequim e Pierrot. Eles que encontrem sua própria Colombina. Eu cansei.
E no outro dia, ela chegou cambaleando em casa, com a piteira na mão. O cigarro apagado. Entrou pelas portas do fundo, deixando o vento levar um pedaço de tecido em forma de coração que estava pregado com um canivete na porta da frente.
Afinal de contas, quem se tornou Arlequim? Quem de derrubou as lágrimas?
Colombina se tornou seu eterno carnaval, derrubando sonhos e corações dos homens que a aquela noite ela não beijou.
Esse sempre foi o amor de Colombina.
Carnaval!
domingo, 14 de fevereiro de 2010
A Trilogia de um carnaval: Ato 1 - Pierrot
Estava sorridente. Colocou seu tênis preto all star. Meias brancas na altura da canela. Bermuda preta. Cinto branco. Camiseta preta. Ajeitou os alargadores. Colocou o MP3 player no bolso e ajustou os fones no ouvido. Na playlist o melhor som que podia existir.
Olhou no relógio. Faltavam cinco para meia-noite. Lá fora o carnaval estava começando. Não era um folião, muito menos gostava dessa festa. Não aceitava bem a idéia de corpos se tocando em busca do simples prazer carnal. Mas ele não tinha tempo para pensar nisso. Olhou mais uma vez no relógio, haviam combinado de se verem meia-noite. E agora faltavam quatro minutos.
Durante toda a semana ele havia pensando nela. Tinha a resposta para aquilo que ela iria perguntar. Sim. Ele estava pronto para amar. Então tirou o telefone no bolso e discou o número dela. No visor surgiu o nome "Colombina". Estava chamando. E ela iria atender. Iria dizer que estava pronta e que ele poderia buscá-la onde quer que ela indicasse. E continuou chamando. Chamando. Apertando o coração de Pierrot. Chamando.
E caiu.
Um subito arrependimento surgiu na cabeça dele. Uma lágrima caiu triste levando consigo o sorriso dos lábios dele. Acendeu um cigarro e ficou sentando no meio fio. Queria ter alguma cerveja para acalmar seus pensamentos de abandonado.
Olhou a lua, mas não a encontrou. Seria lua nova ou as nuvens eram muito densas? Olhou no telefone celular as horas. Meia noite e cinco. Suspirou e deitou na calçada. Fechou os olhos e as lágrimas cairam mais rápido. E o telefone tocou. Na tela o nome novamente "Columbina".
- Desculpa! Vou me atrasar. - A voz suave dela era doce.
- Quanto tempo?
- Vinte minutos. Te dou um toque quando estiver pronta. Beijos...
Antes dele responder beijos o telefone desligou.
Deu play para o tempo passar mais rápido. E assim ele foi passando. Ouviu umas cinco músicas. Olhou o relógio do celular. Vinte minutos haviam se passado e nada dela. Mas dessa vez ele estava prevenido, não havia juntado o sorriso do chão.
Vinte e cinco minutos. As pernas tremiam ansiosas.
Trinta minutos. O telefone recebe uma mensagem. Notícias do mundo, mas não dela.
Trinta e cinco minutos. Pierrot estava em pé.
Quarenta minutos. Estava caminhando em direção a casa dela.
Quarenta e um minutos. Ele ligou. Chamou. Chamou. Chamou. O coração dele se despadaçou. Chamou e caiu. Ele deu meia volta. Desligou o telefone.
Voltou para o seu quarto. Tirou as roupas sem cor. Jogou o telefone em um canto e se jogou na cama. Antes de dormir pálido e emudecido pensou:
"Colombina obrigado por me fazer esperar e me trocar por outro alguém que nem sei quem é..."
E até hoje nosso Pierrot apenas chora... derrubando uma única lágrima por dia.
Uma lágrima chamada Colombina.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Não me diga adeus!
Sai do banho e a vi deitada na cama. Olhei as curvas perfeitas do seu corpo contornadas pelo lençol. A garrafa de vinho branco aberta e a taça tombada no chão. Dormia?
Cheguei de modo lento. Peguei a taça e enchi com o resto do vinho que sobrara. Senti o cheiro e dei um pequeno gole. Seco. Fiquei olhando o corpo dela enquanto bebia. Era belo. Bronzeado pelo sol de domingo. Então ela se virou.
Olhou com aqueles olhos de jabuticaba. Doces e infantis. Deu um leve sorriso com seus lábios suavemente avermelhados pelo batom. Pediu para que eu deitasse ao lado dela. E foi o que eu fiz. E senti o corpo dela me envolver pelo calor que ele transmitia.
Senti saudades de um tempo que não volta mais. De quando andávamos juntos. O problema é que andávamos em direções opostas. Então, olhei nos olhos dela mais uma vez e vi que não podia trazê-la para minha vida confusa e inconstante. Não podia dar ao luxo de fazer com que ela sofresse novamente.
Ela estava bem agora. Tinha objetivos bem definidos. Eu era apenas um perdido no mundo, bebendo e fumando. Participando de encontros intelectuais. Projetos de pessoas solitárias que desejam muito estar ao lado de um grande amor.
Sei que poderia ser diferente se eu já estivesse diferente. Mas ainda não estava. Espero que quando chegar o dia em que serei mais constante ela já não tenha ido embora com outro alguém. Eu a amo e ela sabe disso. E ela também sabe que as vezes uma crônica é só uma crônica. E ela também sabe que as vezes sinto saudades de escrever crônicas romanticas.
O que talvez ela não sabe é que tenho medo de me perder e viver uma vida que até agora não me permitir a viver. Uma vida de amor pleno, sem cobranças e sem pessoas dizendo adeus.
Por favor, não me diga adeus!
sábado, 7 de novembro de 2009
A primeira overdose
Peguei o pensamento que tinha dela. Transformei em pó. O mais fino pó. Ao pó voltaremos já dizia o padre da paróquia. Então peguei tudo que lembrava ela e fiz pó também. Estava cansado, não sei se você me entende?
Fiz dez fileiras. Dez tiros. Sem pêlos no nariz era o grito de guerra da minh'alma. Mas estava com medo. Abri um garrafa de uísque. Doze anos. Guardado para ocasiões especiais. Tomei até metade da garrafa, assim sem gelo. E me atirei no pó.
Cheirei tudo aquilo sem medo. Só senti minha cabeça sendo sugada para dentro dela mesmo. Meu coração acelerou rápido e depois foi só escuridão. E quando acordei estava aqui no céu. Anjos em volta de mim, cuidando do meu corpo nu. Quem me despiu? Estava vestido de calça jeans, camiseta rosa e descalço. Cheguei aqui desse jeito? Pode me responder? Não gosto de homens com cara de muro.
Desculpe-me. É a euforia de estar amarrado em uma cama como se eu fosse um louco. Minha irmã me contou tudo o que aconteceu. Pode ser mentira dela, mas ela não mentiria para mim. Talvez ela mentiu para vocês. Mas eu juro que não foi cocaína. Foi o pó que fiz das memórias dela.
Foi minha primeira overdose. Minha boca está seca e com gosto de meia suja. Quero um cigarro. Esse hospital é um saco. É um inferno, não sei porque insisto em chamá-lo de céu. Certo. Salvaram a minha vida. O amor mesmo é uma droga. Forte. Suja. Pesada. Mas cheirei tudo dela e agora vocês limparam minhas veias. Quem é ela? Não lembro nem mais o nome.
Sabe, doutor?! Quero amar de novo e sei que vou morrer por isso. Terei muitas overdoses dele. É um vício que eu tenho. O amor é mesmo uma droga.
Fiz dez fileiras. Dez tiros. Sem pêlos no nariz era o grito de guerra da minh'alma. Mas estava com medo. Abri um garrafa de uísque. Doze anos. Guardado para ocasiões especiais. Tomei até metade da garrafa, assim sem gelo. E me atirei no pó.
Cheirei tudo aquilo sem medo. Só senti minha cabeça sendo sugada para dentro dela mesmo. Meu coração acelerou rápido e depois foi só escuridão. E quando acordei estava aqui no céu. Anjos em volta de mim, cuidando do meu corpo nu. Quem me despiu? Estava vestido de calça jeans, camiseta rosa e descalço. Cheguei aqui desse jeito? Pode me responder? Não gosto de homens com cara de muro.
Desculpe-me. É a euforia de estar amarrado em uma cama como se eu fosse um louco. Minha irmã me contou tudo o que aconteceu. Pode ser mentira dela, mas ela não mentiria para mim. Talvez ela mentiu para vocês. Mas eu juro que não foi cocaína. Foi o pó que fiz das memórias dela.
Foi minha primeira overdose. Minha boca está seca e com gosto de meia suja. Quero um cigarro. Esse hospital é um saco. É um inferno, não sei porque insisto em chamá-lo de céu. Certo. Salvaram a minha vida. O amor mesmo é uma droga. Forte. Suja. Pesada. Mas cheirei tudo dela e agora vocês limparam minhas veias. Quem é ela? Não lembro nem mais o nome.
Sabe, doutor?! Quero amar de novo e sei que vou morrer por isso. Terei muitas overdoses dele. É um vício que eu tenho. O amor é mesmo uma droga.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
O amor é colorido...
É engraçado como a história se repete. Não por ela se repetir, mas pelas promessas que tudo seria diferente dessa vez. Mas nunca será. Terá um novo contorno ou uma nova roupagem, mas sempre será a mesma história.
E falando em nova roupagem, nosso personagem se apaixonou por uma imagem. Mas não se sente culpado por isso, pois sabe que nasceu em um mundo voltado para o belo. E sua idéia de ética era tão estética quanto não era social. Não queria se relacionar com o ser amado. Queria apenas poder contemplar sua imagem andante. Aqueles cabelos rubros, a pele branca, os olhos verdes e as roupas.
Que roupas lindas ela tinha. Fazia combinações magistrais que levariam qualquer pessoa ao orgasmo apenas em ver aquela roupa caminhando pela cidade. Mas esse orgasmo nem sempre era possível para o nosso personagem, então ele preenchia o seu vazio com as informações midiáticas.
Sentava frente ao seu computador branco, com adesivos colados, dando um profundo ar de retrô. Sobre sua cabeça ele ligava o televisor. Pegava umas revistas. Ligava o rádio. Era uma enchente de informações que entravam pelos seus ouvidos. E as notícias também eram estéticas. Belas. Um belo selvagem, admitia. Eram mortes, assaltos, sequestros. Assassinos de ternos e gravatas matando a cidadania.
O trágico também é belo. As pernas que tremem ansiosas dentro de sua calça xadrez também são belas. Sua casa pintada de verde limão. Seu carro amarelo. Seu refrigerante de embalagem dourada. Os livros com capas brilhantes. Os brinquedos das crianças, multicoloridos. Seu desodorante com encaixe para as mãos. O televisor de tela plana. O preservativo na cor roxa. As escovas de dente com um formato que alcança a garganta. O chinelo de tiras de material reciclado. Tudo tão belo. Tão estético. Tudo não exatamente funcional.
E o seu amor pela imagem era assim também. Ele já a tinha. A imagem era um produto que ele consumia diariamente. Entrava todos os dias na sua comunidade visual de relacionamentos para enxergar aquela que era sua musa inspiradora. Essa paixão desvairada, tão cheia de coloridade.
E nesses tempos ninguém mais ouve falar de amor. O amor se vê e se revela nas palavras impressas das capas de revistas. Nas comunidades de relacionamento. Mas eu prefiro os amores estampados em outdoor, são os maiores amores que o mundo pode ver. Amém!
E falando em nova roupagem, nosso personagem se apaixonou por uma imagem. Mas não se sente culpado por isso, pois sabe que nasceu em um mundo voltado para o belo. E sua idéia de ética era tão estética quanto não era social. Não queria se relacionar com o ser amado. Queria apenas poder contemplar sua imagem andante. Aqueles cabelos rubros, a pele branca, os olhos verdes e as roupas.
Que roupas lindas ela tinha. Fazia combinações magistrais que levariam qualquer pessoa ao orgasmo apenas em ver aquela roupa caminhando pela cidade. Mas esse orgasmo nem sempre era possível para o nosso personagem, então ele preenchia o seu vazio com as informações midiáticas.
Sentava frente ao seu computador branco, com adesivos colados, dando um profundo ar de retrô. Sobre sua cabeça ele ligava o televisor. Pegava umas revistas. Ligava o rádio. Era uma enchente de informações que entravam pelos seus ouvidos. E as notícias também eram estéticas. Belas. Um belo selvagem, admitia. Eram mortes, assaltos, sequestros. Assassinos de ternos e gravatas matando a cidadania.
O trágico também é belo. As pernas que tremem ansiosas dentro de sua calça xadrez também são belas. Sua casa pintada de verde limão. Seu carro amarelo. Seu refrigerante de embalagem dourada. Os livros com capas brilhantes. Os brinquedos das crianças, multicoloridos. Seu desodorante com encaixe para as mãos. O televisor de tela plana. O preservativo na cor roxa. As escovas de dente com um formato que alcança a garganta. O chinelo de tiras de material reciclado. Tudo tão belo. Tão estético. Tudo não exatamente funcional.
E o seu amor pela imagem era assim também. Ele já a tinha. A imagem era um produto que ele consumia diariamente. Entrava todos os dias na sua comunidade visual de relacionamentos para enxergar aquela que era sua musa inspiradora. Essa paixão desvairada, tão cheia de coloridade.
E nesses tempos ninguém mais ouve falar de amor. O amor se vê e se revela nas palavras impressas das capas de revistas. Nas comunidades de relacionamento. Mas eu prefiro os amores estampados em outdoor, são os maiores amores que o mundo pode ver. Amém!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Uma prosa-poética para o sufoco
Em dias distantes a lembrança sufoca até o passo mais lento, o passo mais violento, as feridas mais abertas. Foram minutos de carinho, de afeto e de amor singelo. Agora a lembrança me sufoca. Sufoca e aperta o peito, como se pedisse para deixar de existir. Em vão.
As lágrimas repousam nos olhos e pedem para cair e limpar a sujeira do ambiente, encravada na face oculta do cotidiano soberbo. Meus anexos fechados, que chamo de saudade, permanecem nos armários empoeirados da sala de estar. Eu os alcanço na leveza de um sonhar apagado.
Meus sonhos, tão teus que me confundo ao acordar e não ver você ao meu lado. Logo você, que nunca esteve deitada ao meu lado, mas amassa com seu corpo ausente o lado que é só seu seu por direito. Um direito quase canônico. Então, os travesseiros de pena, o cobertor de cetim, meu pijama sujo de achocolatado. Um cotidiano fracassado por ter decidido amar errado.
Repouso. Calado. Fraco. Envergonhado. Encoberto pela angústia de não me livrar deste sufoco. Quem sou eu? Quem são vocês em mim? Quem me diz qual a melhor parte de você que dorme em mim? Quero te acordar para navegar por nuvens brancas, ou nesse céu estrelado que me acompanha febril pelos bares desta cidade morta, de pessoas mortas, de amores ressucitados.
Mas veja, as desculpas não me impedem de terminar agora. Esquecer os dedos apoiados sobre o teclado e deixar que a minha mente termine por mim. Então, se deixar ela livre, apenas o seu nome ela vai insistir em escrever. Teu nome. Ponto. Teu nome. Ponto. Teu nome. Sufoco. Ponto final.
As lágrimas repousam nos olhos e pedem para cair e limpar a sujeira do ambiente, encravada na face oculta do cotidiano soberbo. Meus anexos fechados, que chamo de saudade, permanecem nos armários empoeirados da sala de estar. Eu os alcanço na leveza de um sonhar apagado.
Meus sonhos, tão teus que me confundo ao acordar e não ver você ao meu lado. Logo você, que nunca esteve deitada ao meu lado, mas amassa com seu corpo ausente o lado que é só seu seu por direito. Um direito quase canônico. Então, os travesseiros de pena, o cobertor de cetim, meu pijama sujo de achocolatado. Um cotidiano fracassado por ter decidido amar errado.
Repouso. Calado. Fraco. Envergonhado. Encoberto pela angústia de não me livrar deste sufoco. Quem sou eu? Quem são vocês em mim? Quem me diz qual a melhor parte de você que dorme em mim? Quero te acordar para navegar por nuvens brancas, ou nesse céu estrelado que me acompanha febril pelos bares desta cidade morta, de pessoas mortas, de amores ressucitados.
Mas veja, as desculpas não me impedem de terminar agora. Esquecer os dedos apoiados sobre o teclado e deixar que a minha mente termine por mim. Então, se deixar ela livre, apenas o seu nome ela vai insistir em escrever. Teu nome. Ponto. Teu nome. Ponto. Teu nome. Sufoco. Ponto final.
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