Fechei os olhos e tentei tatear o tempo.
Por alguns segundos, pensei ter conseguido agarrar um ou dois minutos.
De fato, era apenas mosquitos.
Fiquei ali, de olhos fechados, tateando o vazio. Tentando segurar o tempo, agarrá-lo sutilmente. Fiquei nessa dança de corpo estático e braços e mãos agitadas por horas. Em uma conta mental: 06 horas.
Abri os olhos e tudo estava igual.
Dormi.
Acordei.
Lavei o rosto e fechei os olhos novamente.
Tempo, como segurá-lo?
Foram dias. Sem conseguir um milésimo.
Semanas.
Meses.
Anos.
Em vão. Nada de agarrar o tempo. De segurá-lo. De tê-lo em minhas mão.
Não acreditei que era impossível. O vento me sussurrou, pelos seus séculos de experiência. Mas minha imaturidade me fez surdo.
Segurar o tempo é impossível.
Mas não foi perder tempo.
Quem perdeu tempo foi você, que ficou preso nesse texto.
Até o fim.
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Segure o tempo. Volto já!
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domingo, 22 de setembro de 2013
O amor em frente a Igreja
Estavam sentados na fonte em frente a Igreja. Faziam uma espécie de piquenique sob um teto cinza que prometia desabar em forma de chuva. Os carros passavam, as pessoas passavam, cachorros passavam. Os dois estáticos mantinham seus olhos estáticos um ao outro, sem pensar no tempo que empurrava todo o resto do mundo.
Seguravam a mão de um jeito carinhoso, enquanto conversavam qualquer coisa que jogava em seus rostos sorrisos de felicidade. As vezes, não por vontade, talvez por fome, soltavam as mãos para pegar o alimento que repousava ao lado. A cada término de mordida, as mãos voltavam a se segurar.
Segurança. Carinho. Afeto. Amor.
Havia tudo ali, naquele quadro urbano, cotidiano e real.
Eu apenas passei e sorri.
Senti que o mundo poderia ser melhor e estava sendo naquele momento. Em frente a Igreja, sentados na fonte, se amavam de um jeito normal, nada de sublime, nada que os fizesse diferente. O que me chamou minha atenção foi a cena, de se amarem sem medo do mundo cair sobre suas cabeças.
Não um mundo de chuva, mais de carros passando e buzinando sem precisarem buzinar. De pessoas passando e olhando como se o amor fosse vulgar, de cachorros que apenas passavam sem estranhar. Esse mundo que entram em Igrejas para crucificar os que ficam lá fora, sentados na fonte.
Esse mundo que julga o amor de um rapaz de olhos castanhos que ama outro rapaz de olhos castanhos. Que se amam de um jeito normal, sentados numa fonte, no centro da cidade, em frente a Igreja.
Seguravam a mão de um jeito carinhoso, enquanto conversavam qualquer coisa que jogava em seus rostos sorrisos de felicidade. As vezes, não por vontade, talvez por fome, soltavam as mãos para pegar o alimento que repousava ao lado. A cada término de mordida, as mãos voltavam a se segurar.
Segurança. Carinho. Afeto. Amor.
Havia tudo ali, naquele quadro urbano, cotidiano e real.
Eu apenas passei e sorri.
Senti que o mundo poderia ser melhor e estava sendo naquele momento. Em frente a Igreja, sentados na fonte, se amavam de um jeito normal, nada de sublime, nada que os fizesse diferente. O que me chamou minha atenção foi a cena, de se amarem sem medo do mundo cair sobre suas cabeças.
Não um mundo de chuva, mais de carros passando e buzinando sem precisarem buzinar. De pessoas passando e olhando como se o amor fosse vulgar, de cachorros que apenas passavam sem estranhar. Esse mundo que entram em Igrejas para crucificar os que ficam lá fora, sentados na fonte.
Esse mundo que julga o amor de um rapaz de olhos castanhos que ama outro rapaz de olhos castanhos. Que se amam de um jeito normal, sentados numa fonte, no centro da cidade, em frente a Igreja.
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sábado, 17 de agosto de 2013
Por aqui
Por aqui eu escuto as músicas que não ouvia há muito tempo, por falta de tempo. Tenho tentado comprar um relógio para resolver isso, mas todos me dão apenas doze horas. É que não sei olhar as horas passar sem os ponteiros, que me apontam sempre a direção.
Por aqui eu leio os livros que deixei escondidos na estante, por falta de espaço. Espaço que me sobra, em um sentimento gigante, chamado vazio existencial. É que não sei completá-lo com coisas mundanas, imundas e imperfeitas.
Por aqui eu penso em todos aqueles que se foram sem passar por mim, por falta de uma terceira dimensão. Algo além de tudo isso, que parece sair da tela e tentar tocar minha testa larga, repleta de traços de uma vida. É que não sei usar óculos bicoloridos, ou vejo azul, ou vejo vermelho.
Por aqui eu procuro um portal que se abra para um outro mundo, por falta do que fazer, penso na quarta dimensão. Uma dimensão extra que leve daqui essas palavras, esses espaços e essas pontuações. É que não sei mais o que vou escrever e como já utilizei muitos pontos finais, gastei todos os que tinha
Por aqui eu deixo sem fim
Por aqui eu leio os livros que deixei escondidos na estante, por falta de espaço. Espaço que me sobra, em um sentimento gigante, chamado vazio existencial. É que não sei completá-lo com coisas mundanas, imundas e imperfeitas.
Por aqui eu penso em todos aqueles que se foram sem passar por mim, por falta de uma terceira dimensão. Algo além de tudo isso, que parece sair da tela e tentar tocar minha testa larga, repleta de traços de uma vida. É que não sei usar óculos bicoloridos, ou vejo azul, ou vejo vermelho.
Por aqui eu procuro um portal que se abra para um outro mundo, por falta do que fazer, penso na quarta dimensão. Uma dimensão extra que leve daqui essas palavras, esses espaços e essas pontuações. É que não sei mais o que vou escrever e como já utilizei muitos pontos finais, gastei todos os que tinha
Por aqui eu deixo sem fim
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sábado, 19 de junho de 2010
Dia do Eu Perdi
Hoje foi um dia especial e por ser especial eu decedi chamá-lo como o "Dia do Eu Perdi". Este é um dia particular do meu mundo, e não tem uma data específica. Sua única limitação é que ele nunca poderá existir no mesmo dia do "Dia do Eu Ganhei".
E o Dia do Eu Perdi já inicia uma noite anterior. Quando você tem algo planejado. Um planejamento real. Estar com você gosta. Rir a vontade. Sonhar com coisas boas. Ir trabalhar esperando o fim do dia chegar para tomar duas cervejas geladas e ir para casa tirar o cansaço do corpo. E ai está o erro. Não, o erro não está em tirar o cansaço do corpo. O erro está em acreditar que o dia posterior a esse planejamento, tudo sairá como se arquitetou.
E então eu acordei. Tomei café da manhã. Pão com leite condensado e nata. O café da manhã foi doce em um dia que eu gostaria de que fosse doce. E então eu saio para trabalhar. Ao chegar lá, minha primeira perda. Perdi em algum lugar a informação que dizia que na verdade eu deveria estar em outro lugar. Nada de tão ruim em perder isso, mas deveria ter voltado para cama.
A manhã, ensoladara, era uma boa manhã. Executava minhas tarefas enquanto eu perdia minha energia. Minhas mãos tremiam. Não estava mais acostumado a trabalhar no pesado. Havia perdido minha resistência. Mas o almoço estava chegando e eu já havia perdido alguns minutos dele. Fui voando para casa para lá chegar e saber que na verdade eu havia perdido meu lar.
A casa estava lá, minha família estava lá. Mas nem um nem outro estava satisfeito com a minha chegada. E foi assim que eu perdi minha casa. Colocado para fora sem entender o porque. Sem saber o que eu fiz de tão ruim para merecer não mais viver sobre o mesmo teto. Mas eu ainda tinha uma carta na manga, ou duas.
Abasteci o carro e comprei uns salgados e um refrigerante. Fui até o farol e lá fiquei degustando da minha perda. Só de pensar nos salgados meu estomago embrulha, mas a fome era tanta que eu devia comer aquilo. Assim, perdi a fome. Assim voltei para o trabalho.
Tudo exatamente como foi pela manhã. Ou quase tudo. Meu sorriso era forçado, meus olhos estavam mareados. Minhas mãos iam se sujando sem querer saber onde iria ser lavada. O fim do dia chegou. Todos os outros foram embora e eu sem ter para onde ir. Alias, eu tinha para onde ir, mas não poderia chegar sujo.
Fui até um posto de gasolina. Desses de beira de estrada. Disse que eu estava de viagem e se poderia pegar uma ducha rápida. Não havia perdido a sorte. Ainda. No meu carro sempre existe sabonete, toalha, escova de dentes e creme dental. Teria que ser um banho rápido. E assim foi.
E assim eu fui para a casa dela. Poderia dormir lá. Pelo menos essa noite. Cheguei de surpresa. Porque eu adoro surpreender. Já haviamos combinado durante a semana que dormiria lá. Então, a surpresa foi só a minha chegada em um horário não estabelecido. Fomos fazer um lanche. E eu, falando das minhas manias, na visão dela, deixei de ser homem. E eu, nas minhas brincadeiras, perdi mais uma vez. Lembra que eu não havia perdido a sorte ainda? Pois, a menos de trinta minutos acabei perdendo minha sorte também.
A moça saiu andando, sem dizer uma só palavra. Minhas brincadeiras machucam? Nem tanto. A vontade de não estar comigo deve ser maior? Nem tanto.
Então procurei uma lan house para escrever minha história. A história do meu "Dia do Eu Perdi". Perdi dois reais escrevendo. Perdi até o meu jeito de escrever. Essa história está um lixo. Esta pobre e sem qualquer nexo.
Afinal, no "Dia do Eu Perdi" eu perdi a paciência.
E vou dormir sob um teto de estrelas...
Obrigado a todos!
domingo, 24 de janeiro de 2010
Preguiça de estar triste
Meus olhos se enchem de lágrimas.
Não é tristeza. Toda vez que vem um bocejo meu olhos se inundam dessas partículas de água salgada. Chega a ser irônico. Não estou triste, estou com sono.
Meu corpo está cansado pelos dias que se passaram. A correria do dia a dia me cansa. Não sigo um cotidiano repleto de mesmices, talvez por isso esteja cansado. Não sei exatamente a causa disso tudo. Minha rotina não é rotineira.
Penso que ontem, um sábado que...
Quer saber?
Estou cansado de estar triste!
Não é tristeza. Toda vez que vem um bocejo meu olhos se inundam dessas partículas de água salgada. Chega a ser irônico. Não estou triste, estou com sono.
Meu corpo está cansado pelos dias que se passaram. A correria do dia a dia me cansa. Não sigo um cotidiano repleto de mesmices, talvez por isso esteja cansado. Não sei exatamente a causa disso tudo. Minha rotina não é rotineira.
Penso que ontem, um sábado que...
Quer saber?
Estou cansado de estar triste!
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Sufoco
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Uma prosa-poética para o sufoco
Em dias distantes a lembrança sufoca até o passo mais lento, o passo mais violento, as feridas mais abertas. Foram minutos de carinho, de afeto e de amor singelo. Agora a lembrança me sufoca. Sufoca e aperta o peito, como se pedisse para deixar de existir. Em vão.
As lágrimas repousam nos olhos e pedem para cair e limpar a sujeira do ambiente, encravada na face oculta do cotidiano soberbo. Meus anexos fechados, que chamo de saudade, permanecem nos armários empoeirados da sala de estar. Eu os alcanço na leveza de um sonhar apagado.
Meus sonhos, tão teus que me confundo ao acordar e não ver você ao meu lado. Logo você, que nunca esteve deitada ao meu lado, mas amassa com seu corpo ausente o lado que é só seu seu por direito. Um direito quase canônico. Então, os travesseiros de pena, o cobertor de cetim, meu pijama sujo de achocolatado. Um cotidiano fracassado por ter decidido amar errado.
Repouso. Calado. Fraco. Envergonhado. Encoberto pela angústia de não me livrar deste sufoco. Quem sou eu? Quem são vocês em mim? Quem me diz qual a melhor parte de você que dorme em mim? Quero te acordar para navegar por nuvens brancas, ou nesse céu estrelado que me acompanha febril pelos bares desta cidade morta, de pessoas mortas, de amores ressucitados.
Mas veja, as desculpas não me impedem de terminar agora. Esquecer os dedos apoiados sobre o teclado e deixar que a minha mente termine por mim. Então, se deixar ela livre, apenas o seu nome ela vai insistir em escrever. Teu nome. Ponto. Teu nome. Ponto. Teu nome. Sufoco. Ponto final.
As lágrimas repousam nos olhos e pedem para cair e limpar a sujeira do ambiente, encravada na face oculta do cotidiano soberbo. Meus anexos fechados, que chamo de saudade, permanecem nos armários empoeirados da sala de estar. Eu os alcanço na leveza de um sonhar apagado.
Meus sonhos, tão teus que me confundo ao acordar e não ver você ao meu lado. Logo você, que nunca esteve deitada ao meu lado, mas amassa com seu corpo ausente o lado que é só seu seu por direito. Um direito quase canônico. Então, os travesseiros de pena, o cobertor de cetim, meu pijama sujo de achocolatado. Um cotidiano fracassado por ter decidido amar errado.
Repouso. Calado. Fraco. Envergonhado. Encoberto pela angústia de não me livrar deste sufoco. Quem sou eu? Quem são vocês em mim? Quem me diz qual a melhor parte de você que dorme em mim? Quero te acordar para navegar por nuvens brancas, ou nesse céu estrelado que me acompanha febril pelos bares desta cidade morta, de pessoas mortas, de amores ressucitados.
Mas veja, as desculpas não me impedem de terminar agora. Esquecer os dedos apoiados sobre o teclado e deixar que a minha mente termine por mim. Então, se deixar ela livre, apenas o seu nome ela vai insistir em escrever. Teu nome. Ponto. Teu nome. Ponto. Teu nome. Sufoco. Ponto final.
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