Fechei os olhos e tentei tatear o tempo.
Por alguns segundos, pensei ter conseguido agarrar um ou dois minutos.
De fato, era apenas mosquitos.
Fiquei ali, de olhos fechados, tateando o vazio. Tentando segurar o tempo, agarrá-lo sutilmente. Fiquei nessa dança de corpo estático e braços e mãos agitadas por horas. Em uma conta mental: 06 horas.
Abri os olhos e tudo estava igual.
Dormi.
Acordei.
Lavei o rosto e fechei os olhos novamente.
Tempo, como segurá-lo?
Foram dias. Sem conseguir um milésimo.
Semanas.
Meses.
Anos.
Em vão. Nada de agarrar o tempo. De segurá-lo. De tê-lo em minhas mão.
Não acreditei que era impossível. O vento me sussurrou, pelos seus séculos de experiência. Mas minha imaturidade me fez surdo.
Segurar o tempo é impossível.
Mas não foi perder tempo.
Quem perdeu tempo foi você, que ficou preso nesse texto.
Até o fim.
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Segure o tempo. Volto já!
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Não sei muito bem como...
Não sei muito bem como aconteceu.
Lembro que estava tendo um sentimento paterno. Pensei estar com saudades do meu cachorro. Essas coisas pós-modernas de considerarmos um animal como sendo parte da família. Meu cachorro era meu filho e espero não ser com o meu filho como sou com o meu cachorro.
As vezes jogo as latinhas de cerveja sobre a casinha dele, coisa que ele já se acostumou. As vezes puxo o pano dele só para vê-lo correr atrás de mim. Nem sempre dou água, nem sempre dou comida. Muitas vezes acho que ele pode ficar um dia sem comer, porque está com o peso muito elevado para o tamanho dele.
Mas não era sentimento paterno numa relação homem-animal.
Era relação pai-filho humano mesmo!
Mas não dei muita importância e a vida seguiu. Seguiu bem até o dia que minha namorada disse que estava meio estranha. Estranha entende-se por menstruação desregulada. Desregulada entende-se por menstruação atrasada que automaticamente nos remete a gravidez.
E gravidez é uma palavra estranha que me lembra gravidade. Não aquela que nos mantém presos ao chão. Gravidade no sentido de situação complicada em um contexto complicado.
Ela foi fazer o teste de farmácia.
Um risco.
NEGATIVO.
Mas a situação continuou em um contexto complicado.
Teste de laboratório.
Até 05 nada de gravidez. Acima de 100 tudo de gravidez.
55.
Brincadeira isso?
Liga para o médico. Recebe saudações e felicitações. Brinca-se no Facebook. Desmente. O médico atende. Diz que vai ser o triplo o número no próximo teste. Tem certeza que não está, mas já errou uma vez. Faz o teste, nem o dobro. Laboratório comemora.
POSITIVO.
Dúvida. Recebe saudações e felicitações mais uma vez. Presente da sócia. O médico pede novo teste. Agora sim, mais que o dobro.
400.
POSITIVO MESMO... SEM ERRO!
A vida muda, os planos mudam. A felicidade cresce.
Não sei muito bem como vai acontecer!
Lembro que estava tendo um sentimento paterno. Pensei estar com saudades do meu cachorro. Essas coisas pós-modernas de considerarmos um animal como sendo parte da família. Meu cachorro era meu filho e espero não ser com o meu filho como sou com o meu cachorro.
As vezes jogo as latinhas de cerveja sobre a casinha dele, coisa que ele já se acostumou. As vezes puxo o pano dele só para vê-lo correr atrás de mim. Nem sempre dou água, nem sempre dou comida. Muitas vezes acho que ele pode ficar um dia sem comer, porque está com o peso muito elevado para o tamanho dele.
Mas não era sentimento paterno numa relação homem-animal.
Era relação pai-filho humano mesmo!
Mas não dei muita importância e a vida seguiu. Seguiu bem até o dia que minha namorada disse que estava meio estranha. Estranha entende-se por menstruação desregulada. Desregulada entende-se por menstruação atrasada que automaticamente nos remete a gravidez.
E gravidez é uma palavra estranha que me lembra gravidade. Não aquela que nos mantém presos ao chão. Gravidade no sentido de situação complicada em um contexto complicado.
Ela foi fazer o teste de farmácia.
Um risco.
NEGATIVO.
Mas a situação continuou em um contexto complicado.
Teste de laboratório.
Até 05 nada de gravidez. Acima de 100 tudo de gravidez.
55.
Brincadeira isso?
Liga para o médico. Recebe saudações e felicitações. Brinca-se no Facebook. Desmente. O médico atende. Diz que vai ser o triplo o número no próximo teste. Tem certeza que não está, mas já errou uma vez. Faz o teste, nem o dobro. Laboratório comemora.
POSITIVO.
Dúvida. Recebe saudações e felicitações mais uma vez. Presente da sócia. O médico pede novo teste. Agora sim, mais que o dobro.
400.
POSITIVO MESMO... SEM ERRO!
A vida muda, os planos mudam. A felicidade cresce.
Não sei muito bem como vai acontecer!
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domingo, 6 de setembro de 2009
O Tempo
O celular me desperta acordo medito levanto troco de roupa lavo o rosto amassado pelo travesseiro e desço para tomar um café que vai realmente me acordar o cheiro me dá um embrulho no estômago então tomo um copo de água antes pego uma xícara e repouso sobre a toalha suja de farelo dos outros que acordaram antes de mim o café aquece essa xícara e é amornada quando o leite se mistura tomo um gole amargo o pão adormecido com o doce de morango e nata cansam a musculatura do meu maxilar termino e subo para escovar os dentes pego a escola coloco o creme dental antes lembro que tenho que respirar.
.
Respiro.
.
Escovo os dentes como aprendi com o dentista quando ainda era criança mas não limpo a pia como deveria ter aprendido com minha mãe quando eu também era criança e penso que ela deveria ter me ameaçado com uma broca e com aquele barulho irritante então decido que estou atrasado e tenho que correr para meu trabalho e lá vejo que poderia ter ficado mais alguns minutos parado atrás daquele carro vermelho que insistia e estar no meio da rua como se só ele pagasse os impostos chegam os clientes e mais uma vez vem o pensamento de que devo respirar.
.
Respiro.
.
Fim de tarde tudo resolvido ou quase tudo encaminhado ou quase tudo ficou para trás e vou terminar amanhã que ainda vai ser um dia qualquer da semana que não me lembro exatamente qual chego em casa estaciono o carro na garagem apertada e saio exprimido batendo com a porta na parede e deixando-a a cada dia mais arranhada encontro frutas na fruteira sobre a mesa como alguma e subo troco de roupa e vou correr corro todos os dias sete quilômetros mas quando penso em correr aquele pensamento passar uma ultima vez na minha mente.
.
Respiro.
.
Corro até cansar e chego em casa tomo um banho arrumo as coisas para o dia seguinte arrumo também o despertador do celular e pego uma revista para ler enquanto finjo não ter qualquer culpa em estar com sono e não estar adquirindo qualquer conhecimento relacionado aquilo que está impresso nas páginas amassadas daquela revista então penso que chegou a hora de apagar a luz do quarto apago e jogo a revista em um canto sento e finjo que vou meditar e ao sentar lembro como será o meu dia e ao invés de respirar me vem outro pensamento.
.
Suspiro.
.
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Respiro.
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Escovo os dentes como aprendi com o dentista quando ainda era criança mas não limpo a pia como deveria ter aprendido com minha mãe quando eu também era criança e penso que ela deveria ter me ameaçado com uma broca e com aquele barulho irritante então decido que estou atrasado e tenho que correr para meu trabalho e lá vejo que poderia ter ficado mais alguns minutos parado atrás daquele carro vermelho que insistia e estar no meio da rua como se só ele pagasse os impostos chegam os clientes e mais uma vez vem o pensamento de que devo respirar.
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Respiro.
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Fim de tarde tudo resolvido ou quase tudo encaminhado ou quase tudo ficou para trás e vou terminar amanhã que ainda vai ser um dia qualquer da semana que não me lembro exatamente qual chego em casa estaciono o carro na garagem apertada e saio exprimido batendo com a porta na parede e deixando-a a cada dia mais arranhada encontro frutas na fruteira sobre a mesa como alguma e subo troco de roupa e vou correr corro todos os dias sete quilômetros mas quando penso em correr aquele pensamento passar uma ultima vez na minha mente.
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Respiro.
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Corro até cansar e chego em casa tomo um banho arrumo as coisas para o dia seguinte arrumo também o despertador do celular e pego uma revista para ler enquanto finjo não ter qualquer culpa em estar com sono e não estar adquirindo qualquer conhecimento relacionado aquilo que está impresso nas páginas amassadas daquela revista então penso que chegou a hora de apagar a luz do quarto apago e jogo a revista em um canto sento e finjo que vou meditar e ao sentar lembro como será o meu dia e ao invés de respirar me vem outro pensamento.
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Suspiro.
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