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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Segure o tempo. Volto já!

     Fechei os olhos e tentei tatear o tempo.
     Por alguns segundos, pensei ter conseguido agarrar um ou dois minutos.
     De fato, era apenas mosquitos.
     Fiquei ali, de olhos fechados, tateando o vazio. Tentando segurar o tempo, agarrá-lo sutilmente. Fiquei nessa dança de corpo estático e braços e mãos agitadas por horas. Em uma conta mental: 06 horas.
     Abri os olhos e tudo estava igual.
     Dormi.
     Acordei.
     Lavei o rosto e fechei os olhos novamente.
     Tempo, como segurá-lo?
     Foram dias. Sem conseguir um milésimo.
     Semanas.
     Meses.
     Anos.
     Em vão. Nada de agarrar o tempo. De segurá-lo. De tê-lo em minhas mão.
     Não acreditei que era impossível. O vento me sussurrou, pelos seus séculos de experiência. Mas minha imaturidade me fez surdo.
     Segurar o tempo é impossível.
     Mas não foi perder tempo.
     Quem perdeu tempo foi você, que ficou preso nesse texto.
     Até o fim.

sábado, 17 de agosto de 2013

Por aqui

    Por aqui eu escuto as músicas que não ouvia há muito tempo, por falta de tempo. Tenho tentado comprar um relógio para resolver isso, mas todos me dão apenas doze horas. É que não sei olhar as horas passar sem os ponteiros, que me apontam sempre a direção.
     Por aqui eu leio os livros que deixei escondidos na estante, por falta de espaço. Espaço que me sobra, em um sentimento gigante, chamado vazio existencial. É que não sei completá-lo com coisas mundanas, imundas e imperfeitas.
     Por aqui eu penso em todos aqueles que se foram sem passar por mim, por falta de uma terceira dimensão. Algo além de tudo isso, que parece sair da tela e tentar tocar minha testa larga, repleta de traços de uma vida. É que não sei usar óculos bicoloridos, ou vejo azul, ou vejo vermelho.
     Por aqui eu procuro um portal que se abra para um outro mundo, por falta do que fazer, penso na quarta dimensão. Uma dimensão extra que leve daqui essas palavras, esses espaços e essas pontuações. É que não sei mais o que vou escrever e como já utilizei muitos pontos finais, gastei todos os que tinha
     Por aqui eu deixo sem fim