Sentado frente ao computador esperando uma transpiração criativa escorrer da minha mente, descer pelo meu cérebro e medula até movimentar meus braços e mãos para escrever algo que realmente vale a pena ser lido. Olho fixamente a tela que se move, mas meus olhos não conseguem captar. Minha cabeça dói, meus olhos ardem e o som da televisão ligada tenta me irritar, mas ainda consigo ignorar. Sem qualquer personagem novo para uma crônica, um poema, uma frase.
Então, eu quero você. Que sejas meu personagem. Quero a sua vida na minha crônica. Não vai doer. Posso apenas distorcer. A sua vida será minha e será eternizada na minha crônica e na memória breve de quem leu. Não quero sua vida toda. Quero um retalho. Algo que me faça construir você. Por alguns instantes eu serei uma parte de você.
Enquanto não recebo resposta, fico sentado na frente do computador esperando...
Envie-se em fragmentos para o e-mail: vcnacronica@gmail.com ou poste aqui!
Se quiser seu nome será preservado!
Escolha um fragmento que te escrevo uma crônica que será publicada no blog e no Recanto das Letras [http://migre.me/14o3z]
Boa sorte!
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
Dia do Eu Perdi
Hoje foi um dia especial e por ser especial eu decedi chamá-lo como o "Dia do Eu Perdi". Este é um dia particular do meu mundo, e não tem uma data específica. Sua única limitação é que ele nunca poderá existir no mesmo dia do "Dia do Eu Ganhei".
E o Dia do Eu Perdi já inicia uma noite anterior. Quando você tem algo planejado. Um planejamento real. Estar com você gosta. Rir a vontade. Sonhar com coisas boas. Ir trabalhar esperando o fim do dia chegar para tomar duas cervejas geladas e ir para casa tirar o cansaço do corpo. E ai está o erro. Não, o erro não está em tirar o cansaço do corpo. O erro está em acreditar que o dia posterior a esse planejamento, tudo sairá como se arquitetou.
E então eu acordei. Tomei café da manhã. Pão com leite condensado e nata. O café da manhã foi doce em um dia que eu gostaria de que fosse doce. E então eu saio para trabalhar. Ao chegar lá, minha primeira perda. Perdi em algum lugar a informação que dizia que na verdade eu deveria estar em outro lugar. Nada de tão ruim em perder isso, mas deveria ter voltado para cama.
A manhã, ensoladara, era uma boa manhã. Executava minhas tarefas enquanto eu perdia minha energia. Minhas mãos tremiam. Não estava mais acostumado a trabalhar no pesado. Havia perdido minha resistência. Mas o almoço estava chegando e eu já havia perdido alguns minutos dele. Fui voando para casa para lá chegar e saber que na verdade eu havia perdido meu lar.
A casa estava lá, minha família estava lá. Mas nem um nem outro estava satisfeito com a minha chegada. E foi assim que eu perdi minha casa. Colocado para fora sem entender o porque. Sem saber o que eu fiz de tão ruim para merecer não mais viver sobre o mesmo teto. Mas eu ainda tinha uma carta na manga, ou duas.
Abasteci o carro e comprei uns salgados e um refrigerante. Fui até o farol e lá fiquei degustando da minha perda. Só de pensar nos salgados meu estomago embrulha, mas a fome era tanta que eu devia comer aquilo. Assim, perdi a fome. Assim voltei para o trabalho.
Tudo exatamente como foi pela manhã. Ou quase tudo. Meu sorriso era forçado, meus olhos estavam mareados. Minhas mãos iam se sujando sem querer saber onde iria ser lavada. O fim do dia chegou. Todos os outros foram embora e eu sem ter para onde ir. Alias, eu tinha para onde ir, mas não poderia chegar sujo.
Fui até um posto de gasolina. Desses de beira de estrada. Disse que eu estava de viagem e se poderia pegar uma ducha rápida. Não havia perdido a sorte. Ainda. No meu carro sempre existe sabonete, toalha, escova de dentes e creme dental. Teria que ser um banho rápido. E assim foi.
E assim eu fui para a casa dela. Poderia dormir lá. Pelo menos essa noite. Cheguei de surpresa. Porque eu adoro surpreender. Já haviamos combinado durante a semana que dormiria lá. Então, a surpresa foi só a minha chegada em um horário não estabelecido. Fomos fazer um lanche. E eu, falando das minhas manias, na visão dela, deixei de ser homem. E eu, nas minhas brincadeiras, perdi mais uma vez. Lembra que eu não havia perdido a sorte ainda? Pois, a menos de trinta minutos acabei perdendo minha sorte também.
A moça saiu andando, sem dizer uma só palavra. Minhas brincadeiras machucam? Nem tanto. A vontade de não estar comigo deve ser maior? Nem tanto.
Então procurei uma lan house para escrever minha história. A história do meu "Dia do Eu Perdi". Perdi dois reais escrevendo. Perdi até o meu jeito de escrever. Essa história está um lixo. Esta pobre e sem qualquer nexo.
Afinal, no "Dia do Eu Perdi" eu perdi a paciência.
E vou dormir sob um teto de estrelas...
Obrigado a todos!
domingo, 23 de maio de 2010
O Reino de Hiperbórea
LIVRO UM - Os buracos de minhoca
Capítulo 1 - Nas ruas cinzentas
Capítulo 1 - Nas ruas cinzentas
Demorei muito tempo para pensar e digerir sobre tudo o que aconteceu. Nunca é fácil contar histórias de guerras, mesmo quando muitos já decidiram contar. Falam sempre em vencedores e perdedores. Falam que a história sempre é contada por aqueles que venceram, mas eu discordo. Em qualquer guerra, quando o primeiro ser vivo morre a vitória deixa de existir.
Muitas pessoas morreram nesta guerra que se passou neste Reino. E vou contar a história sobre a ótica de algumas dessas pessoas que morreram em vão, por uma vitória mentirosa. Por uma paz falsa, já que a guerra continua acontecendo dentro de cada um dos que sobreviveram. Não existe vitória justa. Mas a justiça nem sempre está do lado certo.
No Reino de Hiperbórea a justiça ficou do lado de fora. Dentro do meu peito os jovens que morreram continuam vivendo e morrendo de forma injusta. Esta é a história dos jovens que foram recrutados para criar os seres que venceriam a guerra. Esta é a história de uma jovem que mudou o rumo da guerra. E ela veio para cá não por acaso, mas por escolha.
E na noite anterior as nuvens haviam parado de derramar suas lágrimas. Era uma cinza manhã de um dia qualquer. Alguns cachorros latiam para os malditos gatos que insistiam em desfilar a liberdade e passeavam pelos muros com os olhos famintos. As pessoas com suas capas amarelas se protegiam de uma chuva que fingia que em breve cairia novamente. Tudo ia ao ritmo de sempre.
Ísis estava em casa protegida daquilo tudo. Comia banana amassada e tomava um copo de leite. Ainda tinha algum tempo até ter que sair correndo para escola. Tinha tempo para sempre estar alguns minutos atrasada. Aprendeu esse comportamento com o pai, um historiador amante do Egito. Estava sempre atrasado para um achado arqueológico que mudaria o modo como as pessoas entenderiam a história egípcia, mas ao invés de banana amassada e copos de leite, o que o atrasava era os copos de uísque.
E foi assim que ele veio a falecer. Os rins pararam de funcionar, o pulmão não quis mais aceitar a fumaça do cachimbo e o coração concordou com a greve e nunca mais voltou a bater. E Ísis ficou aos cuidados do irmão mais velho Osíris e da mãe Claudia.
Claudia era empresária, dona de uma loja de caixas de presentes. Osíris era sócio e tinha o dever de captar os clientes. Ísis tinha o dever de ficar em casa todo dia e ir para a escola. Voltar pra casa e manter essa rotina. Nos fins de semana dormia na casa de algumas amigas.
E naquele dia mais uma vez ela saiu atrasada para a escola. Pegou a mochila e a chave do cadeado da bicicleta. Pegou a estrada. Até chegar na escola davam uns dez minutos de pedalada em ritmo rápido.
Quando lá chegou, colocou a bicicleta no bicicletário em frente a escola. Deixou seu veículo ali cadeado. E mais uma vez ela veio falar comigo.
- Trouxe uma maçã para o seu café da manhã, senhor Bote...
- Muito agradecido, minha pequena!
- Não sou pequena! Tenho treze anos. Preciso repetir todos os dias?
Nós dois sorrimos. Peguei a maçã e a vi se afastar. Só voltaria a vê-la depois de quatro horas. Quando ela iria me trazer o que sobrou do refrigerante.
O tempo dela fazer a escolha estava cada vez mais próximo. O último buraco de minhoca do ano estava para se abrir. E Hiperbórea esperava que eu fizesse o meu trabalho. Levar uma adolescente que não tinha medo de um velho cego de roupas pretas que tinha sempre uma história nova para contar.
A chuva veio fina. E meus cabelos umedecidos esperavam o dia certo para fazer a revelação. Não tinha dúvida que o dia estava realmente próximo e eu poderia voltar a minha terra que há muito sofria com uma guerra sem qualquer fundamento.
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