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sábado, 24 de dezembro de 2011

O Natal é tempo de...

Falaram por ai que Natal é tempo de paz, de sonhar e de ser feliz.
[paz] - Derivada do latim Pacem = Absentia Belli - Sem guerras.
[sonhar] - Derivada do latim somniare - Fantasiar
[feliz] - Derivada do latim felice - Favorecido pela sorte.


Agora tudo faz sentido.
No Natal devo sonhar, entrar em um mundo de fantasias, onde o ser humano não faz guerras, que não esteja envolvidos em disputas burras ou inteligentes. No natal devo fechar os olhos e acordar em um mundo que não existe, para quando eu acordar de olhos abertos para o mundo real eu seja favorecido pela sorte.
Isso eu só devo fazer no Natal.
Nos outros dias devo apenas fingir que nada acontece, que não posso fazer nada e que nada é culpa minha.
Por isso gosto do Natal.
É um dia só!
Um dia para ter paz, sonhar e ser feliz...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

No meu ombro

Jogado.
Olhando a vida passar.
Enquanto estou sentado na escada, olhando para o elevador.
Se eu pudesse agora dizer a todo mundo o que eu sinto, eu diria que sinto o frio de uma tarde chuvosa.
Sinto fome.
Por não ter devorado as utopias de outrora. Por não ter degustado a manhã de sol. Por não ter experimentado o sabor da alma cansada de tantas derrotas.
Juventude.
Morta. Morna. Moderna. Mortadela. Mandela.
Tudo que eu gostaria de ter agora.
Em dias como esses, como aqueles ou como qualquer outro.
E lá vai o perfume doce da limpeza.
Calçados molhados em calçadas escorregadias. Todo cuidado. Tudo plastificado.
O guarda-chuva cor de rosa.
Pensamento.
Preso no meu peito. Na dor de cada sonho de criança. Na felicidade mórbida de ver um assassino assassinado como se a vítima fosse outro que não eu mesmo.
Vitória. Vítima. Viagra. Verbo intransitivo indireto. Veneza.
Tudo que um dia irei usar.
Jogado na minha juventude deixando o pensamento acabar em três pontos iguais.
Reticências.
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.
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Quando repousares no meu ombro saberás!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

E enquanto isso no céu...

E no oitavo dia, Deus acordou.
Ajeitou-se na cama e mentalmente chamou um dos anjos. Aquele que estivesse mais próximo que viesse. Não gostava de chamá-los por nomes, até porque não havia dado qualquer nome a eles e talvez, se tivesse mais tempo, poderia dar uma forma pronta. Mas deixou que se divertissem a vontade em relação a isso.
Assim, logo Deus foi atendido por um dos anjos. Com senso de humor, Ele riu deste que ali se apresentava e soltou o comentário: - Você tem asas, como as aves. Também põe ovo?
O anjo sorriu e até pensaria em ficar chateado, mas Deus tudo sabe, e de nada adiantaria esconder aquele sentimento. Pediu em que poderia ajudar. Deus pediu então que ele sentasse ao seu lado e contasse como estava a sua criação e dessa vez o sorriso do anjo saiu meio sem graça. Arrumou suas penas e começou a falar.
- Desde ontem, quando o Senhor tirou o dia para descansar, já se passaram milhares de anos da Vossa criação e pelo que temos visto, não está nada bom. Todos são muito egocêntricos e acreditam que o seu planeta é o único com vida inteligente. E em cada planeta existe um monte de problemas sociais, desigualdades e vários dizem que fazem isso porque Vossa pessoa assim quis e assim mostrou em sonhos. Não sei não, hein Deus! Mas o negócio está feio.
Deus tentou coçar a cabeça, mas não tinha uma. Nem mãos, nem dedos, nem forma. Mas tinha um sorriso, era maravilhoso. O anjo ficou sem saber o porque do sorriso, pois não parecia ser algo triste ou desapontado.
- Porque o Senhor ri? Se a Vossa criação é uma desgraça?
- Ora meu jovem anjo, enquanto você falava eu fui verificar dentro das pessoas. Porque o principal da minha criação não foi o mundo exterior, mas sim o mundo interior, particular de cada um. O exterior serve apenas para ser experienciado e servir de aprendizagem.
- Mas Senhor, eles dizem que decifraram o código da vida e deram o nome de DNA. E estão brincando de ser Deus. E alguns nem acreditam que o Senhor existe.
- Está aí algo que é muito sério. Porque o código da vida não está no DNA, está no coração de cada um. Quem encontrar a vida no seu coração não precisará brincar de ser Deus, pois não tem graça. Se brinca apenas seis dias e no outro já se está cansado.
- Não havia pensado nisso. - Disse o anjo.
- Eu também não. Alias, você acha que quando eles se destruirem, na minha próxima criação eu devo colocar inteligência neles?
E então, tudo se apagou. E assim Deus criou novamente a escuridão, com a idéia de criar um tal de Adão e uma tal de Eva, e se divertir com isso.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A maionese, o refrigerante e os pensamentos

E de repente você encontra aquela pessoa que você sempre buscou. Mas você está de meias e chinelo. O cabelo está um tanto desarrumado. Uma mancha de maionese na camiseta preta e um negócio verde nos dentes da frente.
Ela te sorri, e você todo sem jeito derruba o copo de refrigerante e molha o chão da padaria. Então você pensa: "Porque exatamente estou tomando refrigerante as oito horas da manhã?". Você tenta não olhar para ela. Com vergonha encontra o espelho que fica nas costas dos cestos de pão e você percebe que ela te olha sorrindo e balançando a cabeça.
Você balança as pernas e procura algo para se limpar. Tudo em vão. Limpar a sua imagem era o que você realmente precisaria. Enquanto esfrega o guardanapo na camiseta preta, um pensamento te dá um soco na boca do estômago: "Ela está rindo para mim ou de mim?". Atormentado.
Que direitos ela tinha para, em plena segunda-feira, entrar na padaria e agitar assim o seu mundo. Se ainda fosse da região, mas você tem certeza que essa pessoa não morava por ali perto. Ou será que frequentava outras padarias? Talvez fosse hora de ir em busca de novas padarias. Mas essas outras padarias te permitiriam entrar de chinelos e meia? Talvez fosse melhor que não permitam, muito menos que se beba refrigerante e se coma empada com maionese as oito horas da manhã. Indignado.
Então, você decide olhar para pessoa novamente e decidir se ela realmente sorri para você. Mas devido aos pensamentos você descobre que não percebeu que ela já havia ido embora. Procura a sua volta e nada, nem qualquer outra pessoa. Ficou só você e o atendente. Você dá de ombros. Desmotivado.
Levanta o copo de refrigerante, coloca mais maionese na empada e pensa: "...".