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terça-feira, 5 de junho de 2012
A morte
Afinal a morte é uma vírgula, reticências ou um simples ponto final?
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
No meu ombro
Jogado.
Olhando a vida passar.
Enquanto estou sentado na escada, olhando para o elevador.
Se eu pudesse agora dizer a todo mundo o que eu sinto, eu diria que sinto o frio de uma tarde chuvosa.
Sinto fome.
Por não ter devorado as utopias de outrora. Por não ter degustado a manhã de sol. Por não ter experimentado o sabor da alma cansada de tantas derrotas.
Juventude.
Morta. Morna. Moderna. Mortadela. Mandela.
Tudo que eu gostaria de ter agora.
Em dias como esses, como aqueles ou como qualquer outro.
E lá vai o perfume doce da limpeza.
Calçados molhados em calçadas escorregadias. Todo cuidado. Tudo plastificado.
O guarda-chuva cor de rosa.
Pensamento.
Preso no meu peito. Na dor de cada sonho de criança. Na felicidade mórbida de ver um assassino assassinado como se a vítima fosse outro que não eu mesmo.
Vitória. Vítima. Viagra. Verbo intransitivo indireto. Veneza.
Tudo que um dia irei usar.
Jogado na minha juventude deixando o pensamento acabar em três pontos iguais.
Reticências.
.
.
.
Quando repousares no meu ombro saberás!
Olhando a vida passar.
Enquanto estou sentado na escada, olhando para o elevador.
Se eu pudesse agora dizer a todo mundo o que eu sinto, eu diria que sinto o frio de uma tarde chuvosa.
Sinto fome.
Por não ter devorado as utopias de outrora. Por não ter degustado a manhã de sol. Por não ter experimentado o sabor da alma cansada de tantas derrotas.
Juventude.
Morta. Morna. Moderna. Mortadela. Mandela.
Tudo que eu gostaria de ter agora.
Em dias como esses, como aqueles ou como qualquer outro.
E lá vai o perfume doce da limpeza.
Calçados molhados em calçadas escorregadias. Todo cuidado. Tudo plastificado.
O guarda-chuva cor de rosa.
Pensamento.
Preso no meu peito. Na dor de cada sonho de criança. Na felicidade mórbida de ver um assassino assassinado como se a vítima fosse outro que não eu mesmo.
Vitória. Vítima. Viagra. Verbo intransitivo indireto. Veneza.
Tudo que um dia irei usar.
Jogado na minha juventude deixando o pensamento acabar em três pontos iguais.
Reticências.
.
.
.
Quando repousares no meu ombro saberás!
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
O ônibus que chega
Escutou o barulho dos pássaros cantando. Sorriu.
Deixou os ouvidos se acostumarem e se arrependeu. O intenso fluxo de carros invadiu os ouvidos e o mundo ficou de cabeça para baixo. Sentiu o estômago embrulhar, como se houvesse levado repentinamente um soco de algum lutador de boxe peso pesado. O sorriso foi embora.
Levantou-se do banco e sentou no mesmo. Olhou no relógio e não se surpreendeu. Faltavam dois minutos para o ônibus chegar. Esticou o tronco para frente. Lá vinha ele. Ajeitou o cabelo, arrumou a roupa que estava um tanto amassada. Tirou uma goma de mascar do bolso, mas resolveu devolvê-la.
O ônibus chegou.
O ônibus se foi.
Ele ficou ali estático. Sem saber bem o que fazer. Deveria ter entrado, mas suas pernas e seu corpo não obedeceram. Jogou a pasta de documentos importantes em um lado. Tirou a gravata. Tirou o paletó marrom. Tirou o sapato e as meias.
O chão de concreto era gelado. O cheiro da cidade era podre. Mesmo assim abriu os pulmões para ele. Correu como nunca, de braços abertos para o nada. Ou para a liberdade.
Lembrou-se de quando era criança. De quando era um adolescente. De quando corria sem qualquer medo atrás da vida, e agora ele estava correndo dela. Do modo como ela havia o sufocado. Estava sorrindo enquanto todos aqueles, os que iam acordando aos poucos e invadindo as ruas da cidade, olhavam incrédulos.
Ficou nesse estado até o anoitecer, quando resolveu voltar ao ponto de ônibus. Ao seu ponto de ônibus. Onde dormiu.
Escutou o barulho dos pneus dos carros cantando em contato com o asfalto. Sorriu.
Tinha que ter uma desculpa.
O ônibus chegou.
O ônibus se foi.
E a vida voltou a ser do mesmo jeito.
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Tédio urbano
Entediado, sento no banco da praça e fico vendo o sereno descer e deixar aos poucos meus poucos fios de cabelo úmidos. Não, na verdade não é bem tédio. Talvez uma pequena e suave tristeza que bate lentamente no peito.
Estou sozinho, acompanhado de uma garrafa de vinho tinto seco e alguns cigarros que roubei da bolsa de uma mulher em uma dessas reuniões de comemoração de tantos anos de formado. Canto algumas músicas para quebrar o clima de silêncio angustiante. Essa é a minha noite, a primeira noite do resto da minha vida.
Penso nos dias que antecederam esta noite úmida. E um estardalhaço de memórias urbanas invadem minha mente. Como eu gostava de pensar que eram memórias poéticas, mas não. Simples memórias urbanas, cinzas e densas, que ficam horas paradas em um engarrafamento mas que ao encontrarem transito livre percorrem a estrada da lembrança em uma velocidade que não posso mensurar.
E nesta noite todas estas memórias encontraram este maldito e abençoado transito livre. Acendo um cigarro, mesmo sabendo que não sou um fumante. Apenas quero me sentir sujo por quebrar alguns dos meus principios. Do mesmo modo, bebo o vinho no gargalo e deixo um filete escorrer pelo canto da minha boca como se esperasse que alguma mulher estivesse ali para limpar com um beijo doce.
Beijos doces. Como isso seria poético se não fosse o meu modo de ser com as mulheres. Lembro agora de uma certa vez que escrevi uma carta vergonhosa as mulheres, revelando o modo como eu as uso para poder escrever. Seria poético, mas é urbano e por ser urbano não vou revelar minhas memórias. Deixarei para outros contos, crônicas e poemas.
Hoje só quero deixar o sereno tocar o meu corpo, fumar um cigarro e me embriagar. Sem falsos moralismos, sem falas que encantam. Hoje serei eu comigo mesmo. E viva essa minha vida urbana, fadada ao esquecimento e às dores de amores que finjo esquecer.
Estou sozinho, acompanhado de uma garrafa de vinho tinto seco e alguns cigarros que roubei da bolsa de uma mulher em uma dessas reuniões de comemoração de tantos anos de formado. Canto algumas músicas para quebrar o clima de silêncio angustiante. Essa é a minha noite, a primeira noite do resto da minha vida.
Penso nos dias que antecederam esta noite úmida. E um estardalhaço de memórias urbanas invadem minha mente. Como eu gostava de pensar que eram memórias poéticas, mas não. Simples memórias urbanas, cinzas e densas, que ficam horas paradas em um engarrafamento mas que ao encontrarem transito livre percorrem a estrada da lembrança em uma velocidade que não posso mensurar.
E nesta noite todas estas memórias encontraram este maldito e abençoado transito livre. Acendo um cigarro, mesmo sabendo que não sou um fumante. Apenas quero me sentir sujo por quebrar alguns dos meus principios. Do mesmo modo, bebo o vinho no gargalo e deixo um filete escorrer pelo canto da minha boca como se esperasse que alguma mulher estivesse ali para limpar com um beijo doce.
Beijos doces. Como isso seria poético se não fosse o meu modo de ser com as mulheres. Lembro agora de uma certa vez que escrevi uma carta vergonhosa as mulheres, revelando o modo como eu as uso para poder escrever. Seria poético, mas é urbano e por ser urbano não vou revelar minhas memórias. Deixarei para outros contos, crônicas e poemas.
Hoje só quero deixar o sereno tocar o meu corpo, fumar um cigarro e me embriagar. Sem falsos moralismos, sem falas que encantam. Hoje serei eu comigo mesmo. E viva essa minha vida urbana, fadada ao esquecimento e às dores de amores que finjo esquecer.
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