Ainda lembro quando ele chegou aqui. Olhar perdido nas paredes brancas. O cabelo loiro em contraste com os olhos negros. Não tinha qualquer vontade de caminhar, mas caminhava.
Quando não caminhava sem direção, ficava o dia todo sentado embaixo de uma figueira. E em um desses dias eu me sentei ao lado dele e tentei conversar.
Ele me disse que tinha terminado com a mulher já que ela não podia ajudá-lo com a mente dele. Ele olhou para mim esperando algum julgamento, mas não entreguei o que ele queria. Então continuou, dizendo que as pessoas pensam que ele está louco, já que o olhar dele possui ira o tempo todo.
Lembro bem dele esticando os braços e dizer que durante o dia pensa em coisas mas nenhuma delas parece satisfazê-lo. Achava que ia perder a cabeça e não encontrasse algo para acalmar. Coçou a barba e tirou de dentro do bolso da camisa um comprimido.
- Você pode me ajudar? Ocupar o meu cérebro?
- Sim.
- Preciso de alguém para me mostrar o que a vida tem de melhor, essas coisas que não encontro. Acho que estou cego, não consigo nada daquilo que traz a verdadeira felicidade.
- Quer um copo d'água para ajudar com o remédio?
Ele ficou balançando a cabeça de forma negativa por uns minutos. Estava com o comprimido na boca. De repente ele parou e cuspiu. Uma saliva grossa de quem há muito não bebia qualquer líquido.
- Faça uma piada. Você vai ver que eu vou suspirar enquanto você ri e enquanto você ri eu iriei chorar. Felicidade? Não consigo sentir. Amor? Tão irreal.
A voz dele era carregada de uma carga angustiante. Não havia qualquer traço de alegria. Ou seria eu que não estava procurando do jeito correto.
- Agora você ouve essas palavras em que eu conto como estou. Só digo a você para que desfrute a vida, pois pra mim é tarde demais.
Naquela mesma noite ele foi encontrado morto. Overdose de remédios. Nunca descobri o nome dele, já que os médicos nunca revelam informações para outros internos. Porque toda essa paranóia?
Black Sabbath - Paranoid
[http://www.youtube.com/watch?v=JvDcsMiVaLY]
Solicitação de Ruan.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
The Climb
Após dez dias de caminhada por entre árvores, flores e animais, eu encontrei a subida para a Montanha Misteriosa. Relutei em acreditar, nunca alguém havia encontrado. Se encontrou, não voltou para contar a história. Mas eu tinha certeza, aquela era a subida.
Estava exausto, resolvi deitar e descansar um pouco antes de me aventurar por aquela estreita estrada. Acendi um cigarro de corda, tirei meu cantiu que transportava uma mistura de chá com uisque e me deixei levar pelos encantos da subida. Confesso que cochilei.
Era nítido que eu quando podia ver o sonho que eu estava tendo. Uma voz suave, feminina e rouca, estava dentro da minha cabeça e me dizia que nunca iria atingir este meu sonho. Mas eu retruquei antes de acordar. Eu disse que cada passo meu, cada movimento perdido e sem direção, cada vez que minha fé treme, eu penso que tenho que tentar. Manter a cabeça erguida com olhos fixos no caminho estreito.
Acordei assustado com o cheiro do cachimbo do meu avô, que desapareceu procurando a Montanha Misteriosa. Abre os olhos e procurei em volta e lá estava ele, ou que ele havia se tornado. Longos cabelos brancos, um olho cego e o cachimbo sempre no canto esquerdo da boca.
- Não precisa subir. - Disse ele - Existe sempre uma outra montanha.
- Não quero ir contra o senhor. Todos temos saudade. Eu sempre vou querer deixar passar, mas sei que existem batalhas dificeis, como sei também que vou perder algumas vezes. Isso não é sobre quão rápido eu posso chegar ao topo nem sobre o que me espera do outro lado.
- Eu sei, meu neto, é apenas a subida. Então me deixe ir, deixe eu sair da tua memória. Não faça isso por mim, faça por você. Você vai entender que sempre existe uma outra montanha.
Eu fechei os olhos e deixei ele partir. Era por mim que eu estava ali. Não precisava colocar a responsabilidade em alguém. E as lutas que eu enfrentei, tomando chances que chamo de álcool, às vezes poderiam me derrubar, mas pelo visto não estavam me quebrando.
Bati a poeira do corpo ao me erguer. Dei mais um gole e mais um trago. E comecei a subir. Eu sabia que talvez não podeira, mas foram aqueles momentos que vão me lembrar que só tinha que continuar. Forte. Eu tinha que ser forte.
Ao longo da subida eu parava e escrevia. Palavras de incentivo. Continue se movendo. Continue subindo. Mantenha a fé. Mantenha a sua fé. Esta não é a Montanha Misteriosa?
Esta é a montanha chamada vida. Onde você sempre quer subir. E isso é tudo sobre a subida. Por isso ninguém volta para contar. Todos querem subir, ninguém deseja descer. Quem desce se cala e busca a subida.
Isso é tudo sobre a subida.
Hannah Montana - The climb
[http://www.youtube.com/watch?v=NG2zyeVRcbs]
Solicitação de Fernanda.
Estava exausto, resolvi deitar e descansar um pouco antes de me aventurar por aquela estreita estrada. Acendi um cigarro de corda, tirei meu cantiu que transportava uma mistura de chá com uisque e me deixei levar pelos encantos da subida. Confesso que cochilei.
Era nítido que eu quando podia ver o sonho que eu estava tendo. Uma voz suave, feminina e rouca, estava dentro da minha cabeça e me dizia que nunca iria atingir este meu sonho. Mas eu retruquei antes de acordar. Eu disse que cada passo meu, cada movimento perdido e sem direção, cada vez que minha fé treme, eu penso que tenho que tentar. Manter a cabeça erguida com olhos fixos no caminho estreito.
Acordei assustado com o cheiro do cachimbo do meu avô, que desapareceu procurando a Montanha Misteriosa. Abre os olhos e procurei em volta e lá estava ele, ou que ele havia se tornado. Longos cabelos brancos, um olho cego e o cachimbo sempre no canto esquerdo da boca.
- Não precisa subir. - Disse ele - Existe sempre uma outra montanha.
- Não quero ir contra o senhor. Todos temos saudade. Eu sempre vou querer deixar passar, mas sei que existem batalhas dificeis, como sei também que vou perder algumas vezes. Isso não é sobre quão rápido eu posso chegar ao topo nem sobre o que me espera do outro lado.
- Eu sei, meu neto, é apenas a subida. Então me deixe ir, deixe eu sair da tua memória. Não faça isso por mim, faça por você. Você vai entender que sempre existe uma outra montanha.
Eu fechei os olhos e deixei ele partir. Era por mim que eu estava ali. Não precisava colocar a responsabilidade em alguém. E as lutas que eu enfrentei, tomando chances que chamo de álcool, às vezes poderiam me derrubar, mas pelo visto não estavam me quebrando.
Bati a poeira do corpo ao me erguer. Dei mais um gole e mais um trago. E comecei a subir. Eu sabia que talvez não podeira, mas foram aqueles momentos que vão me lembrar que só tinha que continuar. Forte. Eu tinha que ser forte.
Ao longo da subida eu parava e escrevia. Palavras de incentivo. Continue se movendo. Continue subindo. Mantenha a fé. Mantenha a sua fé. Esta não é a Montanha Misteriosa?
Esta é a montanha chamada vida. Onde você sempre quer subir. E isso é tudo sobre a subida. Por isso ninguém volta para contar. Todos querem subir, ninguém deseja descer. Quem desce se cala e busca a subida.
Isso é tudo sobre a subida.
Hannah Montana - The climb
[http://www.youtube.com/watch?v=NG2zyeVRcbs]
Solicitação de Fernanda.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Basket Case
Hoje eu acordei confuso. Não sei se é o efeito de uma mistura de loucuras. Fumaça, etanol e tiros no banheiro enquanto o rock rasgava o ar lá no palco. Talvez a distorção das guitarras tenham distorcido o meu mundo e tenham me feito acordar assim.
Confuso? Você teria tempo pra me ouvir reclamar sobre nada e tudo, de uma vez só? Não sei se você entendeu realmente que eu sou. Sou um desses idiotas melodramáticos. Neurótico até os ossos. Não tenho dúvidas em relação a isso. Então não é isso que me deixa confuso.
As vezes eu mesmo me dou sustos, as vezes minha mente prega peças em mim e tudo isso vai se somando sem parar. Acho que estou pirando. Sou apenas um paranóico ou só estou chapado?
Não responda alto. Só deixa eu te contar que ontem fui a uma psiquiatra para analisar meus sonhos. Não entendo muito de psiquiatria, mas ela me disse que essa confusão é falta de sexo e que isso me deprime. Então, ontem a noite eu peguei uma prostituta, e ela me disse que minha vida é um saco e que eu devia parar de reclamar porque o tédio dela estava crescendo.
E então eu me entreguei ao rock. E então eu acordei confuso. Fugindo do controle. Então é melhor eu me segurar.
Afinal, sou um caso perdido.
Green Day - Basket Case
[http://www.youtube.com/watch?v=hitMpM-P-Bs]
Solicitação pelo Twitter de @Jacobsen_A
Confuso? Você teria tempo pra me ouvir reclamar sobre nada e tudo, de uma vez só? Não sei se você entendeu realmente que eu sou. Sou um desses idiotas melodramáticos. Neurótico até os ossos. Não tenho dúvidas em relação a isso. Então não é isso que me deixa confuso.
As vezes eu mesmo me dou sustos, as vezes minha mente prega peças em mim e tudo isso vai se somando sem parar. Acho que estou pirando. Sou apenas um paranóico ou só estou chapado?
Não responda alto. Só deixa eu te contar que ontem fui a uma psiquiatra para analisar meus sonhos. Não entendo muito de psiquiatria, mas ela me disse que essa confusão é falta de sexo e que isso me deprime. Então, ontem a noite eu peguei uma prostituta, e ela me disse que minha vida é um saco e que eu devia parar de reclamar porque o tédio dela estava crescendo.
E então eu me entreguei ao rock. E então eu acordei confuso. Fugindo do controle. Então é melhor eu me segurar.
Afinal, sou um caso perdido.
Green Day - Basket Case
[http://www.youtube.com/watch?v=hitMpM-P-Bs]
Solicitação pelo Twitter de @Jacobsen_A
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